domingo, 28 de junho de 2009

Partida para o oriente

Existe um compasso de esperas, entre a partida e o teu olhar de pássaro coberto de medo, existe um tempo inexacto, na aridez indefinida de um adeus, vejo-te com a mão branca de nuvem, em aceno sombrio, estou de partida para uma terra invisível e verde, tudo o que eu disser são lábios de água, tudo o que eu disser é uma memória inanimada (mas digo), procura uma forma não inventada, procura uma ave frágil que seja o lugar da ausência no coração, um segredo sussurado no abraço das tardes, um corpo repleto de mágica violência, ignoro a distância que tenho entre o sangue e a água, ignoro se a luminosidade das velas pandas me susterá, mas o vento acende-se e os teus olhos apagam-se, vejo o barco inclinar-se em excessos de água, insinua-se um verbo imperfeito, e as nuvens brancas rasgam os tecidos da inevitável despedida...

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